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domingo, 22 de novembro de 2009

Villa-Lobos

Partituras encontradas no Rio de JaneiroHeitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 5 de marçode 1887 – Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1959) foi um maestro e compositor brasileiro.
Destaca-se por ter sido o principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, sendo considerado o maior expoente da música do Modernismo no Brasil, compondo obras que enaltecem o espírito nacionalista onde incorpora elementos das canções folclóricas, populares e indígenas.


v i l l a - l o b o s (1887-1959)
Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro a 5 de março de 1887. O sobrenome parece certo, é do espanhol Villalobos; a forma com hífen revela um esforço de aportuguesamento, razão que justifica também a grafia Vila-Lobos. Muito cedo o próprio pai iniciou-o nos estudos de solfejo e teoria musical bem como na prática de clarineta e do violoncelo.
Aos 13 anos de idade já se tornara assíduo freqüentador de serenatas, integrando os mais famosos conjuntos seresteiros da época. Nessa precoce experiência boêmia, adquiriu conhecimento do violão, que chegou a tocar como virtuose. Para esse instrumento, escreveu mais tarde vários estudos, perlúdios e um concerto, dedicados a Segovia.
Além das serestas e dos 'choros', Villa-Lobos ampliou o seu contato com a música popular ao conhecer Ernesto Nazareth, de cujas obras foi o primeiro a vislumbrar a importância.
Em 1905, com o dinheiro que lhe rendeu a venda de livros raros, herdados do pai, Villa-Lobos percorreu vários Estados do Norte, até Pernambuco, em íntima convivência com a música do povo. De volta ao Rio de Janeiro, pensou em sistematizar sua formação musical. Mas logo se indispôs com a rotina acadêmica do Instituto Nacional de Música e, de novo, parte em peregrinação pelo interior brasileiro. Sempre com a finalidade de assimilar as manifestações do folclore musical, percorre as regiões Sul e Centro-Oeste, fechando a rota com uma permanência na Amazônia.
Fixando em sua cidade natal, por volta de 1913, Villa-Lobos encontra-se em intensa atividade criadora, abordando os mais diversos gêneros. Já iniciara a atividade espantosa, que elevaria para cerca de mil o número de suas composições. Em várias obras desse período é marcante a influência de Debussy.
Enquanto a Suíte floral (1914) para piano e o Canto do cisne negro (1917) para piano e violoncelo aparecem numa atmosfera nitidamente impressionista, as Danças africanas (1914) trazem um cunho vivo de originalidade, trabalhadas sobre autêntico material afro-brasileiro e ameríndio.
Ainda transparecendo influência estrangeira e, ao mesmo tempo, já se expressando numa linguagem própria, Villa-Lobos começa a se impor no cenário cultural do Brasil. Em 1922 toma parte destacada na Semana de Arte Moderna em São Paulo. O reconhecimento oficial também se manifestou, através da encomenda de trabalhos sinfônicos.
No ano seguinte o mecenato de alguns amigos o leva até Paris, onde promove uma primeira apresentação de suas obras, sob vaia impenitente do começo ao fim. Finalmente, em 24 de outubro e 5 de dezembro de 1927, na sala Gaveau, obtém o sucesso desejado. Dos programas constaram os Choros n.ºs 2, 3, 4, 8, 10, o Rudepoema e a suíte Prole do bebê (piano), as Serestas e os Poemas indígenas (3) para canto e orquestra, além de Na Bahia tem (coro à capela), Cantiga de roda (coro e orquestra) e o Noneto.
No momento em que surge ante a cultura do Velho Mundo, Villa-Lobos tem definidos os elementos básicos de sua arte. Primeiramente o folclore; mas essa substância primitiva, de que se impregnara desde cedo, não a utiliza de maneira direta. Filtra esse material, torna-o depurado pela ação vigorosa de sua personalidade. Depois, a sensibilidade aos idiomas musicais estrangeiros, que é notada não somente em relação ao de Debussy.
Nesse primeiro triunfo parisiense deixou bem à mostra o conhecimento da linguagem stravinskyana. O resultado é um vasto painel rapsódico, onde as desigualdades, inevitáveis por força da produção imensa, são compensadas pela predominância de obras de alto valor. Entre estas, várias possuem significação universal. E em todas, como constante inarredável, uma marca viva e forte de legítima brasilidade.
Essa marca de autêntico nacionalismo, colocada de maneira a atingir uma grandeza universal, Villa-Lobos apresenta em seu primeiro triunfo em Paris. Sobretudo através do Noneto (1923), para instrumento e coro, intitulado Impressões rápidas de todo o Brasil, e que é como o próprio programa folclorista do mestre. É o programa cujo ponto máximo são os Choros. E aos cinco que apresentou na sala Gaveau, mais tarde vão-se juntar outros num total de 14 (completando com uma Introdução para orquestra e com o Choros-Bis, para violino e violoncelo - respectivamente escritos em 1929 e 1928). Todo o processo criador de Villa-Lobos se sintetiza nesses Choros. Os mais famosos são o n.º 5, para piano solo, e o n.º 10, para orquestra e coro, que inclui o Rasga coração, tema popular.
A suíte Prole do bebê, para piano (1918-1926) logo levou o nome de Villa-Lobos a figurar nos programas dos grandes pianistas, entre eles Arthur Rubinstein, que, aliás, tomou parte naqueles concertos na sala Gaveau. Ao célebre virtuose está dedicado o Rudepoema (1926), obra-prima, mais tarde orquestrada pelo autor.
Também são obras-primas as Cirandas (1926), e os números do Ciclo brasileiro (1935), reveladores de uma escritura pianística poderosamente original. O mesmo ocorre nas obras com orquestra, inclusive os concertos, dentre os quais o n.º 5 é o mais executado. As mais importantes realizações pianísticas de Villa-Lobos são datadas de sua primeira fase - lembrando, de algum modo, o caso de Schumann. A própria suíte Prole do bebê já foi elogiosamente comparada com às Cenas da infância, do mestre alemão.
Em 1930, apesar de já famoso em toda a Europa, com obras apresentadas por grandes regentes, Villa-Lobos decidiu voltar para o Brasil. Começou então a fase de viva preocupação com o desenvolvimento artístico do país. Em São Paulo, obtém apoio governamental para a realização de caravanas musicais pelo interior do Estado. Depois, no Rio de Janeiro, promove gigantescas concentrações orfeônicas em estádio esportivo.
No seu afã pedagógico, o mestre tinha escolhido o canto oral como meio de formar musicalmente a mocidade. Para essa finalidade compõe o Guia prático (1932), 'monumental antologia folclórica', que também publica em versão para piano. O esforço educacional de Villa-Lobos vai culminar quando consegue a oficialização do ensino da música nas escolas.
Ao mesmo tempo que 'ensinava o Brasil a cantar', Villa-Lobos prosseguia a sua atividade como compositor. Agora dá inicio ao corpus das Bachianas brasileiras (9), cuja origem remonta àquelas peregrinações pelo interior do país, quando constatou a semelhança de modulações e contracantos do nosso folclore musical com a música de J.S.Bach. Misturando esse material primitivo com formas pré-clássicas, o resultado é uma síntese absolutamente original, onde a técnica e o espírito do 'Kantor de Leipzig' aparecem envolvidos em cadências brasileiríssimas.
Ao vincular o Brasil a J.S.Bach, Villa-Lobos caracterizou-se como um dos maiores músicos do nosso tempo. No mundo inteiro as Bachianas são as mais conhecidas de suas obras. Principalmente tornou-se popular a n.º 5 para voz de soprano e conjunto de violoncelos (1938), mas também são de alta categoria as n.ºs 1, 2 e 4 e outras Bachianas.
Bachianas e Choros são obras sui generis, sem qualquer esquema formal; mas constituem a espinha dorsal da produção de Villa-Lobos. Nem por isso, as que se podem enquadrar no âmbito da 'forma' são menos importantes. Assim as 12 sinfonias, destacando-se a n.º 6, escrita sob a linha cartográfica das montanhas do Brasil (1944), e a n.º 10, com coro, denominada Sumé, pai dos pais (1952). Assim também os 17 quartetos para cordas, os concertos para piano, os concertos para violoncelo, o Concerto para violão (que Villa-Lobos manejou virtuosisticamente o violoncelo), os trios, os quintetos.
E ainda óperas - como Malazarte (1921); bailados - como Uirapuru (1917); suítes - como o impressionante Descobrimento do Brasil, composta para acompanhar um filme. Enfim, uma 'floresta tropical de obras', onde o emaranhado da construção impede não impede a visão do gênio.
Desde o retorno da Europa, a genialidade de Villa-Lobos foi-se incorporando ao patrimônio artístico-cultural do Brasil. As resistências contra sua obra terminaram afogadas na onda de louvores e honrarias. Suas obras passaram a ter lugar nos catálogos internacionais de discos, com destaque especial para as Serestas: datadas de 1925, essas peças vocais têm como textos versos de poetas brasileiros como Manuel Bandeira.
Apesar da linha melódica guardar reminiscências da ópera italiana, os lieder de Villa-Lobos possuem estrutura tipicamente folclórica. A produção de Villa-Lobos continuou fluindo dessa dupla vertente: influência estrangeira e folclore nacional. Villa-Lobos morreu no Rio de Janeiro a 17 de novembro de 1959.
Louvável tem sido o esforço do Museu Villa-Lobos em manter acesa a memória do mestre. Mas permanece a discrepância entre a medida de uma genialidade mundialmente celebrada e o número restrito das execuções das obras no país.




quinta-feira, 22 de outubro de 2009




Q:A elegância de Santos Dumont:#
Além de pai da aviação, ele também foi uma das figuras mais elegantes e influentes de seu tempo. Algumas das melhores festas de Paris, reunindo a elite mundial, aconteciam em sua casa
Um aspecto menos conhecido da biografia do aviador, além de sua ousadia, era sua excentricidade aliada a uma peculiar elegância - todos o conheciam por seu chapéu panamá, ternos com corte impecável e camisas de gola alta. Ele era uma das figuras mais festejadas de Paris.
Em seus jantares, reunia gente como: Louis Cartier (o joalheiro), princesa Isabel (filha de dom Pedro II), George Goursat (sofisticado escritor e cartunista), Gustave Eiffel (o arquiteto da Torre Eiffel), Rothschild (os bilionários), a imperatriz Eugênia (viúva reclusa de Napoleão III) e 'alguns reis, rainhas, duques e duquesas, tão numerosos que é impossível mencionar todos os nomes', escreve Paul Hoffman na biografia Asas da Loucura.
Muito rico, Dumont despertava a atenção de todos. Sim, ele era herdeiro de uma fortuna de meio milhão de dólares. Elegante, Dumont foi um dos primeiros freqüentadores do restaurante Maxim's, até hoje um dos mais badalados de Paris. A biografia de Hoffman é uma das melhores já escritas sobre o aviador. Nela revela-se não só o gênio, mas também o homem Santos Dumont - seus muitos amigos, além de sua homossexualidade.
Guilherme Ravache,revista quem acontece.

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