terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Dia da madrinha 25-11


Hoje não é dia da madrinha, mas recebi um pedido de meu amigo seguidor Artur, e não pude me negar, faço isso com muito prazer. Quem desejar saber sobre algo ou alguma data comemorativa que não tenha aqui no blogger, pode deixar um recadinho em meu mural de recados e eu lhe responderei com muito alegria.

Ser MADRINHA… Esse termo tem significado legal, religioso, afetivo e social. Mas se a gente pensar numa visão mais simples, a gente entende por MADRINHA aquela pessoa que testemunha e vivencia junto os votos e a alegria da união dos casais, quando o tema é matrimônio, ou o nascimento, bênção e início da educação religiosa quando os pais da criança lhe concedem, através do batismo, a confiança de passar a representar na vida daquela pessoinha algo mais que os demais amigos e parentes.

Diante da visão da Igreja Católica podem ser padrinhos ou madrinhas de um bebê/criança: “os casais unidos pelo matrimônio da Igreja, que sigam a vida Cristã, maiores de 16 anos e/ou solterios mas igualmente aos casados, pessoas que foram batizadas, crismadas e que dão testemunho da vida cristã”.

Essas exigências são necessárias por formalidade da Insituição Religiosa, neste caso Católica. Outras religiões e filosofias podem seguir princípios diferentes, mas o que acontece de igual maneira é a intenção dos pais ao conclamar as pessoas que irão batizar seu filho, recebê-lo como filho diante de Deus, da sociedade em geral e claro, da comunidade menor da qual faz parte. Quando falamos em “padrinho”e “madrinha” ou “compadre” e “comadre” estamos especificando a pessoa que estará junto “com o pai” e “com a mãe” na criação, educação e desenvolvimento daquela criança. Não escolhemos para padrinho aquele que irá dar muitos presentes, que tem mais posses ou que proporcionará situações que os pais desaprovariam. Escolhemos pessoas com princípios e valores semelhantes aos nossos, pessoas que serão capazes de mostrar interesse, sentimento, preocupação e amor de forma verdadeira e sincera por nossos filhos, assim sendo capazes de orientar sobre as melhores escolhas, atitudes corretas e nobres, trazendo clareza e apoio diante de adversidades e/ou oportunidades no decorrer de suas vidas.

Fato: os padrinhos devem se esforçar para estar presentes. Mesmo morando longe, em outra cidade ou estado, devem manter-se em contato e tentar participar da vida do afilhado. Quem ganha? A criança, que se sente amada e valorizada e os padrinhos, que tem a chance de vivenciar as descobertas puras e genuínas da infância.

A palavra AFILHADO também deriva do significado de afiliar, TOMAR COMO FILHO, isto é, o afilhado é como se fosse seu filho. Desse modo, o padrinho e madrinha devem dedicar a ele toda sua atenção e cuidado. Daí a responsabilidade de ser padrinho ou madrinha e porque a Igreja coloca tamanhas restrições, inclusive a exigência dos cursos de formação para o batizado.

Ser mãe exige doação diária e contínua. Doação de si mesma, de amor, de tempo e de esforços desmedidos para oferecer o melhor ao seu filho. Exige que a palavra e a presença do orgulho e do egoísmo abandonem nossas casas e nosso dia-a-dia… Não se trata de ditar regras e nem repetir jargões, mas a mulher só é uma boa mãe quando enxerga os filhos e suas necessidades antes de qualquer futilidade que antes fazia presença constante ou passageira em sua vida. O amor pelos filhos tem uma dimensão tão grandiosa que tudo comparado a eles fica pequeno.

Assim… quando uma mãe escolhe padrinhos para seus filhos, há grande importância nisso…





domingo, 6 de dezembro de 2009

Agradecimento para festa de ABC


Agradecemos a Deus e a todos,que com muito esforço
se empenharam para que essa festa linda acontecesse.
Hoje estamos muito felizes pois ja sabemos ler e escrever,
a escola e aos professores queremos agradecer.
A nossa família querida não iremos decepcionar,pois nossa
carreira estudantil nunca deixaremos de trilhar e outros diplomas
iremos conquistar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Juramento para festa de ABC


Juro pensando em Deus que me ama,e diante de meus pais e familiares,professores e colegas,cumprir minha missão de estudante.Amando sempre os livros,gostando de ler
e escrever, para ajudar minha pátria a crescer.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dia internacional da luta contra AIDS(01-12)


Este ano, o tema escolhido para as atividades durante o Dia Mundial de Luta contra a Aids, comemorado sempre no 1º de dezembro é “Viver com Aids é possível. Com o preconceito não”.
Na Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado, através do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids, terá uma programação especial para a data, a partir das 9h, no Dique do Tororó.
Uma tenda será instalada no local e técnicos da Sesab estarão disponíveis para dar orientações e prestar esclarecimentos à população. Haverá também distribuição de material educativo e preservativos.
Na Bahia, desde 1984, quando foi notificado o primeiro caso de Aids, até o ano passado, os dados da Sesab mostram o registro de 10.234 casos da infecção, sendo 9.891 na população adulta.

Nos últimos oito anos, o número de infecções pelo vírus HIV em todo o mundo teve queda de 17%, segundo o Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). As estimativas indicam que 33,4 milhões de pessoas vivem com o HIV. Desse total, 2,7 milhões foram infectados em 2008.
Do total de infectados, 31,1 milhões são adultos, sendo que as mulheres representam mais da metade (15,7 milhões) dos soropositivos. No ano passado, 2 milhões de pessoas morreram em consequência da Aids.


Crianças e adolescentes com menos de 15 anos somam 2,1 milhões de infectados. Em 2008, 430 mil pessoas nessa faixa etária foram contaminadas e o número de mortes de crianças e adolescentes em consequência da doença chegou a 280 mil.
O tratamento antirretroviral de mulheres soropositivas repercutiu de maneira importante na prevenção de novas contaminações de mãe para filho. Desde 2001, foram evitadas cerca de 200 mil infecções entre crianças.
Segundo o Unaids, o pico da aids foi registrado em 1996, quando 3,5 milhões de pessoas foram infectadas em todo o mundo. Em um comparativo com os dados de 2008, a queda chega a 30%.

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou nesta segunda-feira (16), no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, a campanha “Igual a Você”, para combater o preconceito.
O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a discriminação contra estudantes, gays, lésbicas, portadores do vírus HIV, negros, prostitutas, refugiados, transexuais, travestis e usuários de drogas.

De acordo com Pedro Chequer, coordenador da UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), o pano de fundo de toda a campanha é a defesa dos direitos humanos, porém o foco é falar sobre a Aids no Brasil.
Dez filmes de 30 segundos serão veiculados em emissoras de todo o país. Os personagens serão as próprias vítimas de preconceito.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dia da Elevação de sines


O concelho de Sines foi constituído, até 1485, pelas freguesias de Sines, Colos e a área hoje correspondente à freguesia de Vila Nova do Milfontes. Em 1485 D. João II, com o objectivo de povoar essa área do litoral alentejano, criou o concelho de Vila Nova de Milfontes, em que se inseria o Cercal. Em 1499 Colos tornou-se também concelho. O concelho de Sines adquire então a área e a configuração que mantém até hoje.

O CONCELHO de Sines é velho de séculos. No dia 24 de Novembro comemora-se justamente a
elevação de Sines a vila e a delimitação do seu concelho, embora tenham ocorrido em
momentos diferentes e o concelho actual tenha uma configuração muito diferente daquela
que lhe foi dada em 1364.
Em 1361 o lugar de Sines ainda pertencia ao termo de Santiago do Cacém. Pela sua
localização, o porto de Sines tornou-se, após a Reconquista Cristã, um dos pontos de
escoamento dos produtos do Baixo Alentejo, como os cereais, a cortiça, o peixe ou o carvão,
uma tendência visível a partir da segunda metade do século XIII. É neste contexto de
valorização do litoral português, perceptível pela criação de várias vilas e concelhos pelo país,
que se insere a elevação de Sines a vila e a sede de concelho.
Em 24 de Novembro de 1362, o rei D. Pedro I outorga uma carta de elevação de Sines a vila.
Não se tratava já de foral, nem ainda a delimitação física do concelho. O documento que
concede a autonomia administrativa a Sines não recebe o nome de foral, mas reconhece de
direito a importância da vila do ponto de vista económico, demográfico e fiscal, tal como
sucedeu com a vila de Cascais, em 1364 (1) ou Mira (2), em 1448, ao permitir-lhe eleger os
seus oficiais e juízes.
O tempo dos forais, a época da Reconquista e da consolidação do território e das estruturas
políticas e administrativas portuguesas, já passara. De facto, os forais foram, durante esse
período, cartas de instituição ou de reconhecimento dos concelhos, e determinavam o direito
público e a justiça locais e as prestações fiscais, registavam as disposições sobre os direitos e
garantias dos munícipes. Foram importantes instrumentos de povoamento ou de
reconhecimento da autoridade real.
A carta de elevação de Sines a vila é bastante mais simples. Não se nomeia magistrados ou
órgãos, sendo antes um documento que concede a um lugar autonomia administrativa e
judicial a um lugar, procurando equilibrar o poder do concelho com o da Ordem de Santiago.
Tendo como título, no exemplar conservado na Chancelaria Régia de D. Pedro I, Sines fecto
villa e fora da sugeisom de Santiago de Cacem, limita-se a definir a jurisdição do concelho, a
eleição de magistrados próprios e a obrigatoriedade de respeitar o senhorio, a Ordem de
Santiago de Espada. Este documento encontra-se na Torre do Tombo, e foi publicado pela
primeira vez em 1973, pelo Dr. Arnaldo Soledade (3).
A Ordem confirmava os oficiais eleitos (juízes e vereadores), era responsável pela justiça em
segunda instância, nomeava vários magistrados e oficiais, como os juízes dos órfãos e os
alcaides.
A necessidade de defesa da costa está bem presente na carta. Os moradores tinham
começado a levantar um “muro” para defender a vila, e deviam continuar com a empresa.
Neste “muro” poderá estar a origem do castelo de Sines.
Tal como sucederá com a vila de Cascais, também a delimitação do “termo” ou concelho de
Sines será mais tardia. O documento, intitulado Da jurdiçon e termo de Sines, et coetera, foi
outorgado em 30 de Setembro de 1364 (4). O concelho de Sines, mais extenso do que
actualmente, era delimitado, a norte, por Santiago do Cacém, a este com Garvão, Odemira e
Panóias, e a sul com o rio Mira. Até finais do século XV o concelho de Sines incluía a foz do
Mira, o Cercal e Colos. Em 1486 D. João II funda Vila Nova de Milfontes, sendo que o Cercal
fazia parte do seu termo; em 1499 Colos torna-se concelho. As justificações são, no primeiro
caso, a necessidade de povoamento daquela área do litoral; no caso de Colos, um forte
crescimento demográfico.

domingo, 22 de novembro de 2009

Villa-Lobos

Partituras encontradas no Rio de JaneiroHeitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 5 de marçode 1887 – Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1959) foi um maestro e compositor brasileiro.
Destaca-se por ter sido o principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, sendo considerado o maior expoente da música do Modernismo no Brasil, compondo obras que enaltecem o espírito nacionalista onde incorpora elementos das canções folclóricas, populares e indígenas.


v i l l a - l o b o s (1887-1959)
Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro a 5 de março de 1887. O sobrenome parece certo, é do espanhol Villalobos; a forma com hífen revela um esforço de aportuguesamento, razão que justifica também a grafia Vila-Lobos. Muito cedo o próprio pai iniciou-o nos estudos de solfejo e teoria musical bem como na prática de clarineta e do violoncelo.
Aos 13 anos de idade já se tornara assíduo freqüentador de serenatas, integrando os mais famosos conjuntos seresteiros da época. Nessa precoce experiência boêmia, adquiriu conhecimento do violão, que chegou a tocar como virtuose. Para esse instrumento, escreveu mais tarde vários estudos, perlúdios e um concerto, dedicados a Segovia.
Além das serestas e dos 'choros', Villa-Lobos ampliou o seu contato com a música popular ao conhecer Ernesto Nazareth, de cujas obras foi o primeiro a vislumbrar a importância.
Em 1905, com o dinheiro que lhe rendeu a venda de livros raros, herdados do pai, Villa-Lobos percorreu vários Estados do Norte, até Pernambuco, em íntima convivência com a música do povo. De volta ao Rio de Janeiro, pensou em sistematizar sua formação musical. Mas logo se indispôs com a rotina acadêmica do Instituto Nacional de Música e, de novo, parte em peregrinação pelo interior brasileiro. Sempre com a finalidade de assimilar as manifestações do folclore musical, percorre as regiões Sul e Centro-Oeste, fechando a rota com uma permanência na Amazônia.
Fixando em sua cidade natal, por volta de 1913, Villa-Lobos encontra-se em intensa atividade criadora, abordando os mais diversos gêneros. Já iniciara a atividade espantosa, que elevaria para cerca de mil o número de suas composições. Em várias obras desse período é marcante a influência de Debussy.
Enquanto a Suíte floral (1914) para piano e o Canto do cisne negro (1917) para piano e violoncelo aparecem numa atmosfera nitidamente impressionista, as Danças africanas (1914) trazem um cunho vivo de originalidade, trabalhadas sobre autêntico material afro-brasileiro e ameríndio.
Ainda transparecendo influência estrangeira e, ao mesmo tempo, já se expressando numa linguagem própria, Villa-Lobos começa a se impor no cenário cultural do Brasil. Em 1922 toma parte destacada na Semana de Arte Moderna em São Paulo. O reconhecimento oficial também se manifestou, através da encomenda de trabalhos sinfônicos.
No ano seguinte o mecenato de alguns amigos o leva até Paris, onde promove uma primeira apresentação de suas obras, sob vaia impenitente do começo ao fim. Finalmente, em 24 de outubro e 5 de dezembro de 1927, na sala Gaveau, obtém o sucesso desejado. Dos programas constaram os Choros n.ºs 2, 3, 4, 8, 10, o Rudepoema e a suíte Prole do bebê (piano), as Serestas e os Poemas indígenas (3) para canto e orquestra, além de Na Bahia tem (coro à capela), Cantiga de roda (coro e orquestra) e o Noneto.
No momento em que surge ante a cultura do Velho Mundo, Villa-Lobos tem definidos os elementos básicos de sua arte. Primeiramente o folclore; mas essa substância primitiva, de que se impregnara desde cedo, não a utiliza de maneira direta. Filtra esse material, torna-o depurado pela ação vigorosa de sua personalidade. Depois, a sensibilidade aos idiomas musicais estrangeiros, que é notada não somente em relação ao de Debussy.
Nesse primeiro triunfo parisiense deixou bem à mostra o conhecimento da linguagem stravinskyana. O resultado é um vasto painel rapsódico, onde as desigualdades, inevitáveis por força da produção imensa, são compensadas pela predominância de obras de alto valor. Entre estas, várias possuem significação universal. E em todas, como constante inarredável, uma marca viva e forte de legítima brasilidade.
Essa marca de autêntico nacionalismo, colocada de maneira a atingir uma grandeza universal, Villa-Lobos apresenta em seu primeiro triunfo em Paris. Sobretudo através do Noneto (1923), para instrumento e coro, intitulado Impressões rápidas de todo o Brasil, e que é como o próprio programa folclorista do mestre. É o programa cujo ponto máximo são os Choros. E aos cinco que apresentou na sala Gaveau, mais tarde vão-se juntar outros num total de 14 (completando com uma Introdução para orquestra e com o Choros-Bis, para violino e violoncelo - respectivamente escritos em 1929 e 1928). Todo o processo criador de Villa-Lobos se sintetiza nesses Choros. Os mais famosos são o n.º 5, para piano solo, e o n.º 10, para orquestra e coro, que inclui o Rasga coração, tema popular.
A suíte Prole do bebê, para piano (1918-1926) logo levou o nome de Villa-Lobos a figurar nos programas dos grandes pianistas, entre eles Arthur Rubinstein, que, aliás, tomou parte naqueles concertos na sala Gaveau. Ao célebre virtuose está dedicado o Rudepoema (1926), obra-prima, mais tarde orquestrada pelo autor.
Também são obras-primas as Cirandas (1926), e os números do Ciclo brasileiro (1935), reveladores de uma escritura pianística poderosamente original. O mesmo ocorre nas obras com orquestra, inclusive os concertos, dentre os quais o n.º 5 é o mais executado. As mais importantes realizações pianísticas de Villa-Lobos são datadas de sua primeira fase - lembrando, de algum modo, o caso de Schumann. A própria suíte Prole do bebê já foi elogiosamente comparada com às Cenas da infância, do mestre alemão.
Em 1930, apesar de já famoso em toda a Europa, com obras apresentadas por grandes regentes, Villa-Lobos decidiu voltar para o Brasil. Começou então a fase de viva preocupação com o desenvolvimento artístico do país. Em São Paulo, obtém apoio governamental para a realização de caravanas musicais pelo interior do Estado. Depois, no Rio de Janeiro, promove gigantescas concentrações orfeônicas em estádio esportivo.
No seu afã pedagógico, o mestre tinha escolhido o canto oral como meio de formar musicalmente a mocidade. Para essa finalidade compõe o Guia prático (1932), 'monumental antologia folclórica', que também publica em versão para piano. O esforço educacional de Villa-Lobos vai culminar quando consegue a oficialização do ensino da música nas escolas.
Ao mesmo tempo que 'ensinava o Brasil a cantar', Villa-Lobos prosseguia a sua atividade como compositor. Agora dá inicio ao corpus das Bachianas brasileiras (9), cuja origem remonta àquelas peregrinações pelo interior do país, quando constatou a semelhança de modulações e contracantos do nosso folclore musical com a música de J.S.Bach. Misturando esse material primitivo com formas pré-clássicas, o resultado é uma síntese absolutamente original, onde a técnica e o espírito do 'Kantor de Leipzig' aparecem envolvidos em cadências brasileiríssimas.
Ao vincular o Brasil a J.S.Bach, Villa-Lobos caracterizou-se como um dos maiores músicos do nosso tempo. No mundo inteiro as Bachianas são as mais conhecidas de suas obras. Principalmente tornou-se popular a n.º 5 para voz de soprano e conjunto de violoncelos (1938), mas também são de alta categoria as n.ºs 1, 2 e 4 e outras Bachianas.
Bachianas e Choros são obras sui generis, sem qualquer esquema formal; mas constituem a espinha dorsal da produção de Villa-Lobos. Nem por isso, as que se podem enquadrar no âmbito da 'forma' são menos importantes. Assim as 12 sinfonias, destacando-se a n.º 6, escrita sob a linha cartográfica das montanhas do Brasil (1944), e a n.º 10, com coro, denominada Sumé, pai dos pais (1952). Assim também os 17 quartetos para cordas, os concertos para piano, os concertos para violoncelo, o Concerto para violão (que Villa-Lobos manejou virtuosisticamente o violoncelo), os trios, os quintetos.
E ainda óperas - como Malazarte (1921); bailados - como Uirapuru (1917); suítes - como o impressionante Descobrimento do Brasil, composta para acompanhar um filme. Enfim, uma 'floresta tropical de obras', onde o emaranhado da construção impede não impede a visão do gênio.
Desde o retorno da Europa, a genialidade de Villa-Lobos foi-se incorporando ao patrimônio artístico-cultural do Brasil. As resistências contra sua obra terminaram afogadas na onda de louvores e honrarias. Suas obras passaram a ter lugar nos catálogos internacionais de discos, com destaque especial para as Serestas: datadas de 1925, essas peças vocais têm como textos versos de poetas brasileiros como Manuel Bandeira.
Apesar da linha melódica guardar reminiscências da ópera italiana, os lieder de Villa-Lobos possuem estrutura tipicamente folclórica. A produção de Villa-Lobos continuou fluindo dessa dupla vertente: influência estrangeira e folclore nacional. Villa-Lobos morreu no Rio de Janeiro a 17 de novembro de 1959.
Louvável tem sido o esforço do Museu Villa-Lobos em manter acesa a memória do mestre. Mas permanece a discrepância entre a medida de uma genialidade mundialmente celebrada e o número restrito das execuções das obras no país.




Dia do Músico(22-11)



Músico é aquele que pratica a arte da música, compondo obras musicais, cantando ou tocando algum instrumento. Música, por sua vez, é a arte de combinar sons de maneira agradável ao ouvido, ou o modo de executar uma peça musical por meio de instrumento ou da voz. A palavra é de origem grega e significa “as forças das musas”, ninfas que ensinavam às pessoas as verdades dos deuses, semideuses e heróis, u-sando a poesia, a dança, o canto lírico, o canto coral e outras manifestações artísticas, sempre acompanhadas por sons.

Segundo a mitologia grega, os Titãs, que em literatura simbolizam a audácia orgulhosa e brutal, mas punida pela queda repentina, eram divindades primitivas que se empenharam em luta contra Zeus buscando a soberania do mundo, mas foram fulminados por ele e precipitados no Tártaro. Satisfeitos, os outros deuses pediram ao deus maior que criasse quem fosse capaz de cantar as suas vitórias, e este então se deitou durante nove noites consecutivas com Mnemosina, a deusa da memória, nascendo daí as nove Musas. Delas, a da música era Euterpe, que fazia parte do cortejo de Apolo, o deus da música.

No princípio, a música foi apenas ritmo marcado por primitivos instrumentos de percussão, pois como os povos da antiguidade ignoravam os princípios da harmonia, só aos poucos foram acrescentando a ela fragmentos melódicos. Na pré-história o homem descobriu os sons do ambiente que o cercava e aprendeu suas diferentes sonoridades: o rumor das ondas quebrando na praia, o ruído da tempestade se aproximando, a melodia do canto animais, e também se encantou com o seu próprio canto, percebendo assim o instrumento musical que é a voz. Mas a música pré-histórica não é considerada como arte, e sim uma expansão impulsiva e instintiva do movimento sonoro, apenas um veículo expressivo de comunicação, sempre ligada às palavras, aos ritos e à dança. Os primeiros dados documentados sobre composições musicais referem-se a dois hinos gregos dedicados ao deus Apolo, gravados trezentos anos antes de Cristo nas paredes da Casa do Tesouro de Delfos, além de alguns trechos musicais também gregos, gravados em mármore, e mais outros tantos egípcios, anotados em papiros. Nessa época, a música dos gregos baseava-se em leis da acústica e já possuía um sistema de notações e regras de estética.

Por outro lado, a história de Santa Cecília, narrada no Breviarium Romanum, a apresenta como uma jovem de família nobre que viveu em Roma no século III, nos princípios do cristianismo, decidida a viver como monja desde a infância. Mas apesar dos pais a terem dado em casamento a um homem chamado Valeriano, a jovem convenceu o noivo a respeitar-lhe os votos e acabou convertendo-o à sua fé, passando os dois a participar diariamente da missa celebrada nas catacumbas da via Ápia. Em seguida, Valeriano fez o mesmo com o irmão Tibúrcio, e com Máximo, seu amigo íntimo, e por isso os três foram martirizados pouco tempo depois, enquanto Cecília, prevendo o que lhe aconteceria, distribuiu aos pobres tudo o que possuía. Presa e condenada a morrer queimada, ela foi exposta às chamas durante um dia e uma noite, mas como depois disso ainda se encontrava sem ferimentos, um carrasco recebeu ordem para decapitá-la. Porém, seu primeiro golpe também falhou. Isso aconteceu durante o ano 230, no reinado de Alexandre Severo, época em que Urbano I ocupava o papado. Anos depois uma igreja foi erigida pelo papa no local em que a jovem mártir residira, tornando-se a Igreja de Santa Cecília uma das mais notáveis de Roma.

Muito embora o Breviarium Romanum não faça menção alguma às prendas musicais de Cecília, ela se tornou, por tradição, a padroeira dos músicos, da música e do canto, cuja data de comemoração é 22 de novembro, o mesmo dia dedicado à santa. A tradição conta que Santa Cecília cantava com tal doçura, que um anjo desceu do céu para ouvi-la.

FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
Publicado no Recanto das Letras em 24/10/2006



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